Esperança

Ressoa-lhe em todas as folhas um generoso grito de protesto contra as brutalidades e os erros que nesta hora se exercitam no inferno florido dos seringais que as matas exuberantes escondem, revestem, traiçoeiramente, com as cores fagueiras da esperança…

Euclides da Cunha em preâmbulo ao livro Inferno verde, de Alberto Rangel. In: Ensaios e inéditos (Editora Unesp, 2018), Dispersos, pp. 115-6.

Prisões

É necessário que tenhamos a postura corretíssima dos fortes! Não é invadindo prisões que se castigam criminosos.

Euclides da Cunha em carta aberta ao redator da Gazeta de Notícias, 20 fev. 1894. Segundo Walnice Nogueira Galvão e Oswaldo Galotti, em Correspondência de Euclides da Cunha (São Paulo, EDUSP, 1997), “Euclides protesta contra a sugestão do senador Tomás Cordeiro de que se dinamitassem as cadeias onde estavam confinados os presos políticos da Revolta da Armada (1894)”. Foto: Alan Levine.

Justiça

A justiça, porém, como tudo, é essencialmente relativa. Rodeiam-na as circunstâncias do momento e é impossível caracterizar-se qualquer de suas manifestações, sem a consideração preliminar das causas que a produziram.

Euclides da Cunha, Crônicas, série Dia a Dia, O Estado de S. Paulo, 24 abr. 1892.

Liberdade

A liberdade, a verdadeira liberdade, não é uma coisa que se decrete, que possa sair do espírito dos legisladores, como Minerva, armada e pronta à realização da sua ingente tarefa.
É como direito, um produto cultural das sociedades, e como tal evolve, seguindo a direção de um desenvolvimento superior da inteligência e dos sentimentos.

Euclides da Cunha, Crônicas, Série Dia a Dia, O Estado de S. Paulo, 3 abr. 1892.

Dois Brasis

Quem lê Euclides da Cunha, desde o primeiro momento vê que há dois Brasis: um inclemente, e outro vítima das inclemências.

Antonio Houaiss sobre Euclides da Cunha, Euclidianos e Conselheiristas: um quarteto de notáveis.