FAQs
Quem foi Euclides da Cunha?
Engenheiro, jornalista, professor, ensaísta, literato, historiador, sociólogo, poeta, viajante, órfão de mãe e chefe de família, nascido em 20 de janeiro de 1866 e falecido em 15 de agosto de 1909. Euclides foi uma personalidade vibrante, tensa e apaixonada. Ver sinopse biográfica e, se quiser saber mais, procure as suas biografias.
Onde nasceu Euclides da Cunha?
Em Cantagalo, município brasileiro do estado do Rio de Janeiro. Saiba mais em biografia.
O que Euclides da Cunha escreveu além de Os Sertões?
Contrastes e confrontos (1907), Peru versus Bolívia (1907), À margem da história (1909), conferência Castro Alves e seu tempo (1907) e as obras póstumas Diário de uma expedição (1939) e Caderneta de campo (1975). Para consultar todas, inclusive relatórios, crônicas, cartas, poesias etc., acesse obras de Euclides da Cunha.
Como era Euclides da Cunha?
Você pode ver e copiar imagens de Euclides da Cunha em fotografias, desenhos e até caricaturas (por favor, com os devidos créditos aos fotógrafos e ilustradores). Por dentro, Euclides era um homem impaciente, militar por obrigação, não adaptado à vida urbana, carinhoso com os amigos e a família, moralmente rígido e muito curioso. Euclides desejava reconhecimento e distinção, daí a sua coragem no episódio da baioneta. Os seus heróis, porém, são antitéticos ao escritor. O estilo euclidiano, “bárbaro e impetuoso”, descartado no fim de sua vida, compõe-se de ecos dessa grandeza nos seus diálogos com os grandes fatos e artistas. Ele sempre buscou a liberdade e solidão do “deserto bravio e salvador”. A “linha reta” de que fala Euclides é a sua vontade inquebrantável, além da possibilidade do homem comum. Euclides queria a liberdade, o respeito aos direitos humanos e a manutenção do ânimo rijo, mas isso não foi possível na sua época pragmática e na sempre presente “atmosfera de batráquios”. Euclides sentiu-se impotente para mudar o mundo e a si mesmo, principalmente o último Euclides, distante do “livro vingador” (Os Sertões) e dos artigos bombásticos. Apenas os heróis puderam realizar em “linha reta” as façanhas a que heroicamente se propôs e realizou por vias humanas e tortuosas. Ver também Cronologia e Correspondência.
Qual é a altura de Euclides da Cunha?
Segundo Afrânio Peixoto, responsável pelo exame de necropsia do escritor, 1,65m.
Euclides da Cunha era fumante?
Sim. Existem várias referências ao seu hábito nos documentos. Em uma carta a Artur Lemos, Euclides comparou seu ato de escrever ao de fumar, afirmando: “escrevo, como fumo, por vício”. Em carta de 1896 a João Luís Alves, ele menciona que, devido a uma vertigem e ordens médicas, estava seguindo um regime espartano no qual “não fumo mais”. O jornalista João Luso, descrevendo o método de trabalho de Euclides na redação do jornal, relatou que ele “acendia um cigarro, tirava-lhe três ou quatro fumaças, arremessava-o, em mais de meio” enquanto compunha seus textos. Além disso, o depoimento de D. Angélica Ratto no inquérito policial sobre a morte do escritor relata que, na noite anterior à tragédia (de sábado para domingo), Euclides estava extremamente agitado e “havia fumado cerca de cinco maços de cigarros”.
Euclides da Cunha tinha talassofobia (medo de corpos d’água profundos e escuros)?
Não. Ver artigo de mestre Henry Bacon: Euclides da Cunha sofria de talassofobia?, bem como Euclides da Cunha por Vicente de Carvalho.
Quais foram os amigos de Euclides da Cunha?
No círculo íntimo ou pessoal, Reinaldo Porchat, Francisco Escobar e Júlio de Mesquita. No círculo de “irmãos literários e/ou de armas”, podemos mencionar Vicente de Carvalho, Coelho Neto e Alberto Rangel. Temos ainda seus mestres e protetores intelectuais: José Veríssimo, Machado de Assis, Araripe Júnior e Barão do Rio Branco. Ademais, entre seus “irmãos de ideais” e correligionários políticos e/ou confrades, João Luís Alves, Domício da Gama, Oliveira Lima e Lúcio de Mendonça. Confira a sua correspondência para ter uma noção mais precisa desses relacionamentos.
Qual é a principal obra de Euclides da Cunha?
Sem dúvida, a obra prima de Euclides da Cunha é Os Sertões: campanha de Canudos, publicado em 1902. Para conferir, acesse Obras de Euclides da Cunha e/ou consulte as Edições, reedições e coletâneas de Os Sertões e outras obras.
Os Sertões:campanha de Canudos (1902) foi traduzido para quantos idiomas?
A obra Os Sertões foi traduzida para 11 idiomas estrangeiros: Alemão, Espanhol (em edições argentinas, cubana e venezuelana), Chinês, Dinamarquês, Inglês (em edições estadunidenses e inglesa), Francês, Holandês, Italiano, Japonês, Russo e Sueco. Ademais, podemos mencionar uma edição portuguesa publicada em Lisboa. Saiba mais em Traduções de Os Sertões e outras obras.
Quando Euclides da Cunha ficou famoso?
Ele ganhou notoriedade no célebre episódio da baioneta. Aluno da Escola Militar, aos 22 anos, negou-se a prestar continência e atirou aos pés do Ministro da Guerra Tomás Coelho sua espada ou sabre. O episódio teve repercussão nos principais jornais e, felizmente, não foi condenado à pena capital: o Imperador apenas desligou-o do Exército por indisciplina. Após a saída da Escola, Euclides da Cunha publicou alguns artigos bombásticos e de propaganda republicana na imprensa e ganhou alguma notoriedade. Mas foi com a publicação de Os Sertões: campanha de Canudos, em 1902, que ele ganhou verdadeira glória e imortalidade. Saiba mais em Cronologia e Biografia.
Quantos filhos teve Euclides da Cunha com sua esposa, Anna Emília Ribeiro (Saninha)?
Eudóxia Ribeiro da Cunha (a primogênita, nascida em 1891, que faleceu com apenas seis meses de idade, vítima de varíola), Solon Ribeiro da Cunha (nascido em 1892, foi delegado no Acre e assassinado em 1914), Euclides Ribeiro da Cunha Filho (nascido em 1894 ou 1895, conhecido intimamente como “Quidinho”, faleceu tragicamente em 1916 ao tentar vingar a morte do pai), Manoel Afonso Ribeiro da Cunha (nascido em 1901, foi o único filho do escritor a deixar descendentes, de acordo com a árvore genealógica do escritor), Mauro Ribeiro da Cunha (nascido em 1906, faleceu apenas uma semana após o nascimento devido à debilidade congênita) e Luiz Ribeiro da Cunha (embora Euclides tenha registrado e reconhecido como oficialmente como filho, nascido em 1907, seu nome foi posteriormente alterado para Luiz Ribeiro de Assis, por legitimação, sendo filho biológico de Anna com Dilermando de Assis, amante da esposa de Euclides da Cunha).
Quem venceu o concurso de lógica do Ginásio Nacional?
O vencedor do concurso para a cadeira de Lógica do Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II), realizado em maio de 1909, foi o filósofo Farias Brito, que obteve o 1º lugar. Euclides da Cunha foi classificado em 2º lugar. Apesar do resultado oficial favorável a Farias Brito — a quem Euclides descreveu em cartas como um “estranho tertius gaudet” (pessoa que tipicamente se beneficia de um conflito entre outras duas partes) e autor de uma “interminável Finalidade do Mundo” —, Euclides acabou sendo nomeado para o cargo em julho de 1909, por intermédio de amigos influentes e apoio político, como o do Barão do Rio Branco. Ver prova escrita e prova oral de Euclides, bem como prova escrita de Farias Brito.
Qual é a escola literária de Euclides da Cunha?
Euclides da Cunha situa-se em uma posição única, difícil de classificar, mas muitas vezes classificada posteriormente como Pré-Modernista (termo mencionado em títulos de bibliografias críticas sobre ele), caracterizada por uma linguagem que funde o rigor do naturalismo científico com a dramaticidade do romantismo e a complexidade formal do barroco, inaugurando uma forma de interpretar o Brasil que rompeu com a literatura puramente beletrista de seu tempo.
Onde está o resumo de Os Sertões?
Você pode encontrar em parceiros de euclidianismo. Mas vou tentar resumir aqui. Os Sertões, publicado em 1902, é a obra-prima de Euclides da Cunha e narra a história da Guerra de Canudos (1897), misturando literatura, história e ciência. Escrito nos intervalos de sua carreira como engenheiro, o livro foi definido pelo autor como uma tentativa de esboçar os traços das sub-raças sertanejas antes que desaparecessem diante da civilização, assumindo, involuntariamente, o caráter de um ataque aos crimes cometidos pelos “civilizados” contra os sertanejos. A obra divide-se estruturalmente em três partes fundamentais: 1. A Terra. Nesta parte, Euclides analisa as características geológicas, botânicas, zoológicas e hidrográficas da região. Descreve a entrada do sertão, a terra ignota, o clima e o fenômeno das secas, estabelecendo o cenário físico hostil e determinante para a vida que ali se desenvolve. 2. O Homem. Aqui o autor aborda a complexidade etnológica do Brasil e a gênese do jagunço. Euclides apresenta sua famosa tese de que “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, contrastando a sua robustez com a debilidade dos mestiços do litoral e comparando-o ao gaúcho do sul. Analisa também a figura de Antônio Conselheiro, descrevendo-o como um “documento vivo de atavismo”, um “gnóstico bronco” e um representante natural do meio místico e atrasado em que vivia. 3. A Luta. A parte final narra os conflitos armados, detalhando as quatro expedições militares enviadas para destruir o arraial de Canudos. Relata desde os fracassos iniciais, como a debandada da expedição Moreira César, até o cerco final e a destruição total do povoado. O livro encerra-se com a afirmação de que Canudos não se rendeu, resistindo até o esgotamento completo, caindo apenas quando restavam apenas quatro defensores: um velho, dois homens feitos e uma criança.
Não estou encontrando um tema, livro, artigo e/ou trabalho acadêmico sobre Euclides da Cunha. O que faço?
Junte-se a mim! Há décadas procuro alguns títulos! Agora falando sério: procure em trabalhos acadêmicos e obras sobre Euclides da Cunha. Se ainda não foi possível encontrar um assunto específico, tente adquirir em livrarias ou consultar em bibliotecas os livros comentados em bibliografias. Se preferir, envie uma mensagem.
Por que não se estuda Euclides da Cunha nas escolas?
Não é inteiramente verdade que não se estuda Euclides da Cunha nas escolas. Por um lado, quando se estuda a Campanha de Canudos, os professores de História inevitavelmente falam em Os Sertões, obra-prima de Euclides. Nas aulas de Literatura, o “peso” de Os Sertões, “peso” material e cultural, costuma assustar os estudantes. Mas um ou outro aluno acaba cativado pelo estilo bárbaro, impetuoso e forte de Euclides. Os jovens também são “bárbaros”, impetuosos e fortes. Há uma identificação com o escritor. Por outro lado, o estilo “barroco”, arcaico, eivado de termos técnicos e científicos não permite uma aproximação do público juvenil. Isso, contudo, refere-se principalmente a Os Sertões, livro abrangente e destinado à imortalidade. São praticamente desconhecidos seus trabalhos de divulgação e poesias, geralmente mais acessíveis e tão belos quanto Os Sertões. O texto Judas-Ahsverus é o melhor exemplo disso.
Obras de Euclides da Cunha estão em domínio público?
Segundo a Lei de Direitos Autorais (Lei 9610/98), as obras de Euclides da Cunha estão em domínio público e podem ser reproduzidas livremente, pois autor faleceu em 1909. Contudo, não podem ser editadas com erros ou supressões de notas do autor, mapas ou ilustrações. Ademais, notas de editores e tradutores estão protegidos pela legislação. Por isso, reproduzimos apenas os textos do autor sem notas dos editores que, em alguns casos, são muito importantes para a compreensão. Nesses casos, indicamos a edição de base nos créditos.
Onde encontrar as obras de Euclides da Cunha e dos euclidianos?
Para encontrar os euclidianos, procure em sites de parceiros. Para encontrar as obras de Euclides, entre em obras de Euclides da Cunha. Para encontrar alguns trabalhos dos euclidianos, acesse artigos e teses. Se puder pagar, pesquise em obras sobre Euclides da Cunha. Se o livro tiver esgotado, tente buscá-lo na Estante Virtual.
Qual cadeira Euclides ocupou na ABL?
Euclides da Cunha ocupou a Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras. A cadeira tem como patrono o poeta Castro Alves. Euclides foi eleito para a vaga deixada pelo falecimento de Valentim Magalhães, em 21 de setembro de 1903. Devido às suas viagens para a Amazônia, tomou posse administrativa via ofício em dezembro de 1904, mas a sua recepção solene ocorreu apenas em 18 de dezembro de 1906.
Está difícil ler e entender Os Sertões: campanha de Canudos. O que faço?
Procure adaptações ou, de preferência, a edição preparada por Leopoldo Bernucci (Ateliê Editorial).
Qual foi a causa da morte de Euclides da Cunha?
Euclides da Cunha faleceu em 15 de agosto de 1909, vítima de homicídio durante a chamada “Tragédia da Piedade”, após uma polêmica troca de tiros com o aspirante do Exército Dilermando de Assis, amante de sua esposa. Segundo o laudo da autópsia realizada pelo Dr. Afrânio Peixoto, a causa mortis foi uma hemorragia do pulmão direito, decorrente de um ferimento por arma de fogo que atravessou o órgão de um lado a outro. Embora o escritor tenha recebido outros tiros (no pulso direito, braço esquerdo e flanco), o ferimento fatal foi o que o atingiu na região infraclavicular direita (abaixo da clavícula).
Como ajudar?
Envie uma mensagem com sugestões, comentários, qualquer tipo de material sobre Euclides da Cunha e o euclidianismo, convites para aulas, revisões técnicas de livros e trabalhos acadêmicos, palestras, performances e eventos.
Quem organiza e/ou patrocina este site?
Apenas o prof. Juan Carlos, de Praia Grande (São Paulo, Brasil). Infelizmente, não tenho apoio financeiro de ninguém. Felizmente, a comunidade euclidiana sempre coopera com sugestões, conteúdo e convites para aulas, palestras e eventos. Saiba mais em Sobre o site e créditos.
Como citar?
ANDRADE, Juan C. P. de (org.). EUCLIDESITE: Vida e obra de Euclides da Cunha. São Paulo, [ano]. Disponível em: https://euclidesite.com.br/. Acesso em: [data].
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