Os Sertões

Antonio Candido no seminário acadêmico, falando sobre Sérgio Buarque de Holanda. Foto: Francisco Emolo/Jornal da USP

[“Os Sertões”, de Euclides da Cunha] – livro que se impôs desde a publicação e revelou ao homem das cidades um Brasil desconhecido, que Euclides tornou presente à consciência do leitor graças à ênfase do seu estilo e à imaginação ardente com que acentuou os traços da realidade, lendo-a, por assim dizer, na craveira da tragédia…

Antonio Candido, revista Teoria e Debate, 30 set. 2000

dois brasis

Foto: Marc Ferrez. Avenida Central na altura da Rua do Ouvidor, com rua Miguel Couto, Rio de Janeiro, c. 1906. Coleção Gilberto Ferrez, Acervo do Instituto Moreira Salles

Euclides da Cunha identificou nossos dois países diferentes através de dois emblemas. O Brasil oficial, ele o viu na Rua do Ouvidor, centro da civilização cosmopolita e falsificada. E o Brasil real, no emblema bruto e poderoso do sertão.

Ariano Suassuna, Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, 9 ago. 1990

dois brasis

Soldados e um conselheirista ao centro
Campanha de Canudos, 1897. Conselheirista prisioneiro ao lado de alguns membros do Exército. Ele seria degolado logo em seguida. Foto: Flávio de Barros (Acervo Museu da República).

Quem lê Euclides da Cunha, desde o primeiro momento vê que há dois Brasis: um inclemente, e outro vítima das inclemências.

— Antonio Houaiss sobre Euclides da Cunha, Euclidianos e Conselheiristas: um quarteto de notáveis