Liberdade

Estátua de Minerva

A liberdade, a verdadeira liberdade, não é uma coisa que se decrete, que possa sair do espírito dos legisladores, como Minerva, armada e pronta à realização da sua ingente tarefa.

É como direito, um produto cultural das sociedades, e como tal evolve, seguindo a direção de um desenvolvimento superior da inteligência e dos sentimentos.

— Euclides da Cunha, Crônicas, Série Dia a Dia, O Estado de S. Paulo, 3 abr. 1892

Canudos

Ruínas da mais nova igreja de Belo Monte, a Igreja do Bom Jesus, 1897. Foto: Flávio de Barros/ Acervo Museu da República

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.

— Euclides da Cunha, Os Sertões: campanha de Canudos, A Luta, Últimos Dias, VI. Euclides refere-se ao dia 5 de outubro de 1897.

Diogo Feijó

Detalhe da estátua de Diogo Antônio Feijó, parte integrante do Monumento à Independência, no Ipiranga, São Paulo, Brasil

A figura de Diogo Feijó, que a domina [a Regência], sobranceia todo o nosso passado. Tem linhas esculturais, que ainda não se reproduziram em nossos homens públicos. Que outros admirem os marechais dominadores de rebeldias dentro do círculo de aço dos batalhões fiéis; eu prefiro admirar aquele padre estupendo que com as mãos inermes quebrava as espadas dos regimentos sublevados. Ninguém mais do que ele nobilitou a lei, restaurou a autoridade e dignificou o governo. Mas, embatendo na sua alma antiga, quebrou-se, totalmente, a vaga de uma revolução. E ele fez o remanso largo do segundo Império…

— Euclides da Cunha, Conferência Castro Alves e seu tempo, S. Paulo, Centro Acadêmico XI de Agosto, 1907